Balcão dos Óculos

Dia Mundial da Visão: quando foi a última vez que cuidou dos seus olhos?

No Dia Mundial da Visão, o convite é simples: pensar na atenção que dedica diariamente aos seus olhos. A visão está presente em praticamente todas as atividades — trabalhar, conduzir, ler, utilizar o telemóvel ou simplesmente observar aquilo que nos rodeia — mas os cuidados com a saúde visual são muitas vezes adiados enquanto não existe uma dificuldade evidente.

O problema é que algumas alterações surgem de forma gradual. Podemos habituar-nos a ver um pouco menos nítido, aproximar ou afastar os objetos, aumentar o tamanho das letras no ecrã ou simplesmente aceitar o cansaço visual como parte da rotina.

Por isso, cuidar da visão não deve acontecer apenas quando deixamos de ver bem. Acompanhar regularmente a saúde visual e estar atento a pequenas mudanças é uma parte importante dos cuidados de saúde ao longo da vida.

Porque é importante cuidar regularmente da visão?

Os olhos estão constantemente sujeitos a diferentes exigências.

Passamos várias horas a olhar para ecrãs, alternamos entre diferentes distâncias, conduzimos em condições de luminosidade distintas e realizamos tarefas que exigem concentração visual prolongada.

Ao mesmo tempo, a visão também pode sofrer alterações naturais ao longo da vida.

Uma avaliação visual permite perceber se existem mudanças na graduação, identificar dificuldades que possam estar a comprometer o conforto no dia a dia e, quando necessário, recomendar uma avaliação por um profissional de saúde adequado.

Mesmo quando sente que continua a ver bem, acompanhar a visão regularmente pode ajudar a identificar alterações que passam despercebidas na rotina.

Pequenas alterações na visão são fáceis de ignorar

Nem sempre uma mudança visual surge de forma repentina.

Muitas vezes, o organismo adapta-se gradualmente. Sem perceber, pode começar a aproximar-se mais do ecrã, procurar maior iluminação para ler ou esforçar-se para identificar objetos ao longe.

Entre os sinais que merecem atenção encontram-se:

  • Visão desfocada ao perto ou ao longe;
  • Dificuldade em ler letras pequenas;
  • Necessidade de afastar o telemóvel para conseguir focar;
  • Dores de cabeça frequentes durante tarefas visuais;
  • Cansaço ou desconforto ocular;
  • Necessidade de semicerrar os olhos para ver melhor;
  • Maior dificuldade em conduzir à noite;
  • Sensibilidade à luz;
  • Sensação de que os óculos já não proporcionam o mesmo conforto.

Estes sintomas podem ter diferentes causas e não significam necessariamente que exista um problema grave. No entanto, quando são frequentes ou persistentes, justificam uma avaliação.

“Vejo bem”: significa que não preciso de avaliar a visão?

Não necessariamente.

A perceção da própria visão é muito subjetiva. Uma alteração gradual pode ser facilmente compensada durante algum tempo sem que a pessoa perceba claramente a diferença.

Além disso, ver uma linha de letras ao longe não é o único fator que influencia o conforto visual.

É importante considerar também aspetos como:

  • Visão ao perto;
  • Visão intermédia;
  • Capacidade de focagem;
  • Conforto durante a utilização de ecrãs;
  • Necessidades específicas de trabalho ou estudo;
  • Adaptação à graduação utilizada.

Por isso, uma avaliação visual não deve acontecer apenas quando existe uma dificuldade evidente.

Os óculos também devem ser acompanhados ao longo do tempo

Quem já utiliza óculos pode assumir que a mesma graduação continuará adequada indefinidamente.

No entanto, a visão pode alterar-se e as necessidades visuais também mudam ao longo da vida.

Se utiliza os mesmos óculos há vários anos ou sente que já não obtém o mesmo conforto, pode ser uma boa altura para verificar se a graduação continua adequada.

Além disso, as próprias lentes e armações estão sujeitas ao uso diário.

Riscos, desgaste dos tratamentos das lentes, armações desalinhadas ou um ajuste inadequado podem influenciar a experiência de utilização, mesmo quando a graduação permanece semelhante.

A utilização de ecrãs merece atenção

Computadores, smartphones e tablets fazem parte da rotina de muitas pessoas durante várias horas por dia.

A utilização prolongada destes dispositivos não significa necessariamente que esteja a causar danos permanentes à visão, mas pode contribuir para sintomas de fadiga visual digital, sobretudo quando existem poucas pausas ou condições inadequadas.

Entre os sintomas mais comuns podem estar:

  • Olhos cansados;
  • Secura ocular;
  • Desconforto;
  • Dores de cabeça;
  • Dificuldade temporária em focar depois de muito tempo ao perto.

Um dos motivos é simples: quando estamos concentrados num ecrã, podemos pestanejar menos e permanecer demasiado tempo a olhar para a mesma distância.

Faça pausas durante o trabalho ao ecrã

Uma estratégia simples é aplicar regularmente a regra 20-20-20: aproximadamente a cada 20 minutos, olhar durante cerca de 20 segundos para algo que esteja a aproximadamente 20 pés — cerca de seis metros — de distância.

Não é necessário seguir esta regra de forma rígida. O importante é criar oportunidades para desviar o olhar e alternar a distância de focagem ao longo do dia.

Também deve procurar uma iluminação confortável e uma posição adequada do monitor.

A visão muda com a idade

As necessidades visuais não são iguais ao longo de toda a vida.

Nas crianças, uma visão adequada é particularmente importante para atividades como leitura, escrita e aprendizagem. Como nem sempre conseguem identificar ou explicar o que estão a sentir, alguns problemas podem passar despercebidos.

Na idade adulta, longos períodos de utilização de ecrãs e determinadas exigências profissionais podem aumentar o desconforto visual.

Mais tarde, é comum começar a surgir maior dificuldade em focar objetos próximos, associada à presbiopia.

Por isso, os cuidados devem acompanhar cada etapa.

E as crianças? Também devem realizar avaliações visuais?

Sim. A visão desempenha um papel importante no desenvolvimento e na aprendizagem.

Uma criança pode não perceber que não está a ver corretamente, especialmente se sempre viu daquela forma e não tem uma referência diferente.

Alguns sinais a que os pais podem estar atentos incluem:

  • Aproximar-se demasiado dos livros ou ecrãs;
  • Dificuldade em ver para o quadro;
  • Semicerrar frequentemente os olhos;
  • Esfregar os olhos;
  • Queixar-se de dores de cabeça;
  • Perder-se durante a leitura;
  • Demonstrar desconforto em tarefas visuais.

Estes comportamentos não permitem diagnosticar um problema visual, mas podem justificar uma avaliação.

Cuidar da visão também passa por protegê-la do sol

Os cuidados com os olhos não se limitam à graduação dos óculos.

A exposição à radiação ultravioleta é outro fator a considerar. Por isso, os óculos de sol devem oferecer proteção UV adequada e não ser escolhidos apenas pela tonalidade das lentes.

Uma lente muito escura sem proteção apropriada não representa necessariamente uma opção segura.

A utilização de proteção solar adequada é particularmente importante em situações de exposição prolongada ao exterior.

Hábitos simples que ajudam a cuidar dos olhos

A saúde visual também beneficia de alguns cuidados quotidianos.

Pode começar por:

  • Fazer pausas durante períodos prolongados ao computador;
  • Utilizar iluminação adequada para ler ou trabalhar;
  • Manter uma distância confortável dos ecrãs;
  • Utilizar óculos com a graduação indicada;
  • Proteger os olhos da radiação UV;
  • Evitar utilizar óculos de outras pessoas;
  • Manter lentes e armações limpas;
  • Não ignorar alterações persistentes na visão.

Pequenos hábitos podem contribuir para um maior conforto visual ao longo do dia.

Quando uma alteração na visão exige maior atenção?

Algumas alterações devem ser avaliadas com maior rapidez, sobretudo quando surgem de forma súbita.

É aconselhável procurar avaliação médica perante situações como:

  • Perda repentina ou significativa da visão;
  • Aparecimento súbito de muitos pontos ou manchas no campo visual;
  • Flashes luminosos inesperados;
  • Visão dupla que surge de forma repentina;
  • Dor ocular intensa;
  • Traumatismo ocular;
  • Alterações súbitas importantes num dos olhos.

Nestes casos, não deve esperar por uma avaliação de rotina numa ótica.

Não espere pelo desconforto para cuidar dos seus olhos

É comum pensar na visão apenas quando surge um problema evidente.

No entanto, cuidar da saúde visual também significa prevenir, acompanhar alterações e garantir que as soluções utilizadas continuam adaptadas às necessidades atuais.

Se já passou muito tempo desde a última avaliação, se sente que a sua visão mudou ou simplesmente tem dúvidas sobre o conforto proporcionado pelos seus óculos, este pode ser um bom momento para lhe dar atenção.

O papel do Balcão dos Óculos

No Balcão dos Óculos, ajudamos a acompanhar as necessidades visuais e a encontrar soluções adequadas à rotina de cada pessoa.

Através da avaliação visual e do aconselhamento na escolha de lentes e armações, é possível verificar se a correção utilizada continua ajustada e procurar maior conforto nas atividades do dia a dia.

Quando existem sinais que justificam uma avaliação médica especializada, essa necessidade deve igualmente ser considerada.

Conclusão

O Dia Mundial da Visão é uma oportunidade para recordar algo que deve estar presente durante todo o ano: os olhos também precisam de cuidados regulares.

Não é necessário esperar por uma grande dificuldade para prestar atenção à visão. Uma pequena alteração na nitidez, maior cansaço visual ou uma graduação que deixou de proporcionar o mesmo conforto podem ser motivos suficientes para realizar uma avaliação.

Por isso, vale a pena fazer a pergunta: quando foi a última vez que cuidou dos seus olhos?

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