É fácil habituarmo-nos a pequenas mudanças na forma como vemos. Uma ligeira visão desfocada, a necessidade de afastar o telemóvel para conseguir ler ou dores de cabeça depois de várias horas ao computador podem ser encaradas como situações passageiras.
No entanto, quando estas alterações se tornam frequentes ou persistentes, não devem ser ignoradas. Podem indicar uma mudança nas necessidades visuais ou estar relacionadas com outras condições que justificam uma avaliação.
Neste artigo, explicamos quais os sinais a que deve estar atento e porque uma avaliação visual pode ser importante mesmo quando as alterações parecem pouco significativas.
A visão pode alterar-se gradualmente
Nem todas as alterações visuais acontecem de forma repentina. Muitas desenvolvem-se progressivamente, fazendo com que seja mais difícil perceber que algo mudou.
Podemos começar, por exemplo, a aumentar o tamanho das letras no telemóvel, aproximar-nos do computador ou procurar mais iluminação para ler sem associar estes comportamentos a uma possível alteração da visão.
Além disso, a graduação pode sofrer alterações ao longo do tempo. Mesmo quem utiliza óculos ou lentes de contacto há vários anos pode deixar de ter a correção mais adequada às suas necessidades atuais.
Quais são as pequenas alterações a que deve estar atento?
Existem diferentes sinais que podem justificar uma avaliação visual, sobretudo quando surgem repetidamente ou começam a interferir com as atividades diárias.
Visão desfocada
A dificuldade em ver com nitidez ao perto ou ao longe é um dos sinais mais evidentes.
Pode surgir durante tarefas específicas, como conduzir, ler ou trabalhar ao computador, ou tornar-se progressivamente mais frequente.
Uma alteração da graduação é uma das possíveis explicações, mas existem outras causas. Uma avaliação permite perceber a origem da dificuldade.
Maior dificuldade em ler ao perto
Começar a afastar livros, ementas ou o telemóvel para conseguir focar melhor pode estar associado à presbiopia, uma alteração natural da capacidade de focagem ao perto que tende a surgir com a idade.
Ainda assim, qualquer mudança persistente na visão ao perto deve ser devidamente avaliada.
Dores de cabeça frequentes
As dores de cabeça podem ter inúmeras causas e não significam necessariamente que exista um problema visual.
Contudo, quando aparecem frequentemente depois de ler, utilizar o computador ou realizar outras atividades que exigem esforço visual, podem justificar uma avaliação.
Uma graduação desatualizada ou outras dificuldades visuais podem contribuir para o desconforto em algumas pessoas.
Maior sensibilidade à luz
Sentir um desconforto maior perante luz intensa, ecrãs ou determinados ambientes também é um sinal que merece atenção quando representa uma mudança relativamente ao habitual.
A sensibilidade à luz, ou fotofobia, pode ter diferentes causas. Se surgir de forma persistente, intensa ou acompanhada por outros sintomas, deve procurar aconselhamento adequado.
Cansaço visual
Olhos cansados, sensação de peso, dificuldade em manter a focagem ou visão temporariamente desfocada após várias horas de trabalho podem estar associados à fadiga visual.
A utilização prolongada de dispositivos digitais, iluminação inadequada, poucas pausas ou uma correção visual desatualizada são alguns dos fatores que podem contribuir para estes sintomas.
Porque nos habituamos a ver pior?
Quando uma alteração acontece lentamente, o cérebro e os nossos próprios hábitos podem adaptar-se à nova realidade.
Sem perceber, começamos a compensar: aproximamo-nos dos objetos, procuramos mais luz, aumentamos o tamanho do texto ou evitamos determinadas tarefas.
É precisamente por isso que não devemos esperar necessariamente por uma grande dificuldade para avaliar a visão.
Os seus óculos podem já não ter a graduação adequada
Utilizar óculos não significa que a visão permaneça inalterada ao longo dos anos.
Se começou a sentir dificuldade em determinadas distâncias, cansaço visual ou necessidade de retirar ou reposicionar frequentemente os óculos para conseguir ver melhor, pode estar na altura de verificar a graduação.
Também é importante observar o estado das próprias lentes e da armação. Lentes riscadas ou uma armação desalinhada podem afetar o conforto e a qualidade da utilização diária.
As alterações na visão estão sempre relacionadas com a graduação?
Não.
Miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia são algumas das situações que podem exigir correção visual, mas nem todas as alterações da visão são explicadas por uma mudança na graduação.
Determinados sintomas podem estar associados a outras condições oculares ou de saúde.
Por esse motivo, sintomas novos, persistentes ou que se agravam não devem ser simplesmente compensados através da troca de óculos sem uma avaliação adequada.
Porque são importantes as avaliações regulares?
As avaliações permitem acompanhar possíveis alterações das necessidades visuais e perceber se a correção utilizada continua adequada.
Mesmo quando não existem sintomas muito evidentes, este acompanhamento pode ser especialmente importante para quem já utiliza óculos ou lentes de contacto e para pessoas que notam mudanças na sua capacidade de ver ao perto ou ao longe.
A periodicidade mais indicada dependerá da idade, das necessidades individuais e das recomendações do profissional que acompanha a sua visão.
Existem alterações que exigem atenção mais rápida?
Sim. Nem todas as alterações visuais devem esperar por uma avaliação de rotina.
Uma perda súbita de visão, aparecimento repentino de muitos pontos ou manchas no campo visual, flashes luminosos, visão dupla de início súbito, dor ocular intensa ou outras alterações repentinas podem justificar uma avaliação médica urgente.
A rapidez com que um sintoma aparece e a sua intensidade são, por isso, fatores importantes a considerar.
Pequenos hábitos também ajudam a cuidar da visão
Além das avaliações regulares, alguns cuidados podem contribuir para um maior conforto visual no quotidiano:
- Faça pausas durante períodos prolongados em frente aos ecrãs;
- Utilize iluminação adequada durante a leitura e o trabalho;
- Mantenha uma distância confortável dos dispositivos;
- Utilize a correção visual recomendada;
- Proteja os olhos da radiação ultravioleta com óculos de sol adequados;
- Não ignore sintomas persistentes ou alterações repentinas.
Cuidar da visão também passa por estar atento à forma como os seus olhos respondem às diferentes atividades do dia.
O papel do Balcão dos Óculos
No Balcão dos Óculos, ajudamos a acompanhar as suas necessidades visuais e a encontrar soluções adequadas à sua rotina.
Se começou a notar alterações na nitidez da visão, maior dificuldade ao perto ou desconforto durante determinadas atividades, uma avaliação pode ajudar a perceber se a sua correção visual continua adequada e se existe necessidade de encaminhamento para cuidados especializados.
Conclusão
Uma pequena alteração pode parecer pouco importante quando surge pela primeira vez. No entanto, visão desfocada, dificuldade em ler, dores de cabeça frequentes, cansaço visual ou maior sensibilidade à luz não devem ser ignorados quando persistem ou se tornam recorrentes.
Estar atento a estas mudanças e realizar uma avaliação visual permite perceber se existem novas necessidades de correção e agir de forma adequada.
Cuidar da saúde visual não significa esperar até deixar de ver bem. Significa também reconhecer as pequenas mudanças e procurar perceber a sua origem atempadamente.


